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Selfies da Caridade

Bom, fazer a obra sem observar os preceitos do Senhor Jesus, de fato, tem validade? Se fins justificam os meios, é do Evangelho que extraímos esses valores?
Pr. Marco Cicco

Pr. Marco Cicco

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Mateus 6:3 “Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita.”

Autenticidade, honestidade nas motivações e franqueza são atributos e valores que a cada dia que passa perdem sua relevância no comportamento cristão. Infelizmente, a internet como um todo, (redes sociais, sites, blogs, vlogs), tem sido um veículo gigante dos famosos “cantores e pregadores midiáticos” que usam do sensacionalismo travestidos de misericórdia para promoverem a si mesmos, e com um número relevante de pessoas que defendem essa postura. Gente que a título de fazer a obra, está na verdade se promovendo, e aparecendo para ser lembrando. 

Esses dias até conversei com um jovem que pensava que era lúcido na questão do excesso do marketing, mas que como trabalha com um dos “autores de selfies” fechou os olhos para muita coisa. Inclusive ao fato de que o artista para quem trabalha contabiliza almas nas redes sociais, mas se não pagar um cachê e algumas hospedagens, ou se for um evento que não lhe traga algum benefício midiático, o tal artista não comparece. Um outro dito “cantor gospel” postou que o evento foi uma benção, e que um certo número de almas haviam sido salvas…

Mas como? Será que foi ele que salvou as almas? Como ele pode saber quantas almas se arrependeram DE VERDADE? Se é que se arrependeram, pois se é o Espírito Santo que convence do pecado, o que o faz pensar que o emocionalismo fez o papel de convencer alguém do pecado??? No mínimo, isso é incoerente. 

Deixando um pouco de lado o âmbito teológico da questão, falar de Jesus não seria obrigação de todos nós? Não é mais do que obrigação falar do que cremos? Qual a vanglória que deveríamos ter por fazer aquilo que é nossa obrigação? Quando faço esse tipo de crítica, os defensores respondem da seguinte forma: mas pelo menos ele está fazendo a obra, e você? Minha resposta: Bom, fazer a obra sem observar os preceitos do Senhor Jesus, de fato, tem validade? Se fins justificam os meios, é do Evangelho que extraímos esses valores? Se eu não posto em redes sociais as obras que eu faço (porque não sinto a necessidade de aparecer) isso dá razão a estes fazerem desta forma? 

NÃO! Impressiono-me com a baixa argumentação tanto de quem pratica, quanto de quem defende esta prática. A relativização dos valores que Cristo nos ensinou, sem dúvida, é uma das maiores pragas que contribuem para o crescimento de heresias, práticas infundadas e mentiras que são disseminadas no meio cristão. O que aprendo, e guardo comigo, acerca de tudo isso?

1) Preocupe-se em fazer as coisas diante de Deus: E fazer as coisas diante de Deus é fazer com base aos ensinamentos que Jesus nos transmitiu. No Evangelho de Marcos 1:44 e em diversas outras passagens, Jesus proibia que aqueles que receberam algum tipo de milagre realizado por ele saíssem comentando e divulgando. Se Jesus não queria essa exposição, porque tantos testemunhos são televisionados? Porque tantas selfies fazendo qualquer tipo de obra? Onde estão os valores de Cristo nessas práticas, que apenas alimentam o ego de quem as faz, por mais “bem intencionadas” elas estejam? Faça diante dEle, que não precisa desse marketing, pois Ele sonda teu coração. 

2) Caminhe com a consciência cristalina do Evangelho: Independente do que você se propor a fazer, faça com a consciência de que o mérito é de Cristo. A Glória e honra é dEle, e se não fosse por Ele, nada teria sentido. Absolutamente nada. Com essa consciência sabemos que o ato de servir, embora seja carregado de gratidão, não é mais do que uma obrigação honrosa, porque a partir de nossos méritos não conseguiríamos servir como nos é devido. 

Que Deus nos ajude nestes dias em que métodos, para alguns, tem mais validade do que o significado da caminhada. Oremos.

Rev. Marco Cicco

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Pr. Marco Cicco

Pr. Marco Cicco

Colunista

Criador do Ministério Evangelho Inegociável, Pastor na Igreja Anglicana Reformada do Brasil, Professor no Seminário Ryle de Teologia (Disciplinas: Espiritualidade Cristã e Liderança Cristã), Bacharel em Ciências Contábeis, Bacharel em Teologia, MBA em Gestão de Risco e Compliance, MBA em Gestão Tributária, MBA em Gestão e Liderança de Equipes com Habilitação em Docência no Ensino Superior, Extensões Universitárias em Negócios, Custo e Administração Financeira.

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