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Recomendação aos Cristãos em Tempos de Crise Financeira

Aprendi que o custo do meu salário era maior do que meramente dinheiro. Era o meu tempo que estava em questão. Por conta disso, aprendi que deveria ser mais responsável com o uso dos meus recursos, pois era difícil conquistá-los.
Pr. Marco Cicco

Pr. Marco Cicco

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Sim, o Brasil vive uma crise financeira terrível. Há tempos não atravessávamos algo tão complexo, em um cenário de Caos Político e de muita instabilidade no mercado de trabalho. O desemprego vem atingindo os maiores índices dos últimos tempos. E tudo indica que a situação não vai melhorar tão rapidamente quanto a urgência requer.

Como Contador e Consultor Tributário, profissão que exerço há alguns anos, vejo de perto os efeitos da crise: endividamento, alta dos juros, pessoas sofrendo para quitar dívidas adquiridas a longo prazo. Com certa frequência sou consultado para realização de planejamentos financeiros causados pela falta de recurso e controle de gastos.

Como Pastor, me deparo com muitos cristãos que colocam sua fé em questão no momento de atravessar a crise financeira. Tragicamente muitos não confiam em Deus o tanto que pensam que confiam quando a cobrança chega e não há recurso suficiente para pagar a mesma.

Diante destes dois contextos, acredito que posso propor orientações que colaborem para que os mesmos, Crise e Fé, possam ser solucionados de forma madura e coerente com a realidade. A Bíblia, de fato, nos oferece excelente subsídios para que possamos enfrentar essas crises com discernimento necessário para que possamos viver com dignidade na sociedade, mas principalmente diante de Deus.

Origem dos Recursos: A origem de tudo o que temos é e sempre será o Senhor. Você pode e deve fazer a sua parte humana, que é ir levantar cedo, ir estudar e se preparar academicamente, mas se Deus não te sustentar, nenhum esforço humano seria suficiente. Isso requer de nós reflexões e percepções honestas no que diz respeito a fé.

Lemos em Filipenses 4:19
“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus”.

Nossas necessidades serão supridas. Porém, muitos entendem que estas necessidades são os CAPRICHOS desnecessários que podemos viver sem. Necessidade para o cristão é ter o que comer. O próprio Senhor Jesus disse que o Filho do Homem (Ele mesmo) não tinha onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20), então diante disso, não consigo ver coerência e maturidade em quem disse que vai perder a fé porque “terá que cortar a internet de 50 megas de velocidade e meu filho vai ter dificuldades para jogos online”. (Acreditem, já escutei isso em um aconselhamento).

Se reconhecemos o Senhor como a origem de todo o sustento de nossas vidas, devemos crer, que nossas necessidades serão supridas. E, OBVIAMENTE, isso não tem a ver em nada com a maldita da Teologia da Prosperidade, a qual repudio publicamente, e que ensina que Deus nos tornará ricos e milionários.

Com base nestas observações, defina suas “margens”. Coloque no “papel” ou em uma planilha o que é, DE FATO, essencial para o seu cotidiano. Acredite, você irá se surpreender com o que pode ser economizado.

Considere isto:
“Fui jovem e já estou velho, e nunca vi um justo abandonado nem seus descendentes mendigando o pão. ” (Salmo 37:25)

Gaste Menos Do Que Você Ganha: É o conselho mais óbvio que eu poderia oferecer, porém, é o conselho que mais repeti em toda a minha vida, no que diz respeito a organização financeira. Incrível o número de pessoas que vivem um padrão de vida que não condiz com seus ganhos pessoais. A preocupação com o “status” e com a vida de aparência (literalmente, mostrar para os outros que está bem financeiramente) faz com que muitos acumulem dívidas no cartão de crédito, usem reservas financeiras que estavam destinadas a outros objetivos, contratem empréstimos com taxas altíssimas para manter uma aparência. Isso é trágico, em todos os sentidos da palavra.

Gosto muito da definição de Richard Swenson acerca do conceito de “Margem”, que ele aborda como “o espaço entre o nosso fardo e nossos limites”. E aqui cabem algumas perguntas que devem ser respondidas com honestidade:

Você sabe qual a real margem financeira que você tem? Quanto você tem de despesas fundamentais e quanto essas despesas comprometem sua renda? Quais os valores PESSOAIS norteiam sua definição de despesas fundamentais?

Despesas fundamentais são aquelas que você tem que ter para sobreviver e trabalhar. Ou seja, é perfeitamente possível viver com um carro mais simples. Seu filho não precisa de um celular de R$ 2.500,00 para ser feliz. Você não precisa comprar aquela camisa de R$ 800,00 para ser feliz; estes são apenas exemplos de uma dura realidade de quem vive em função de ter as coisas. Lembre-se de onde deve estar o seu coração. (Mateus 6:21)

Com base nestas observações, defina suas “margens”. Coloque no “papel” ou em uma planilha o que é, DE FATO, essencial para o seu cotidiano. Acredite, você irá se surpreender com o que pode ser economizado.

Não É Pecado Se Preparar Para O Futuro: Muitos demonizam o fato de fazer reservas financeiras ou até mesmo algum tipo de previdência privada com base no texto de Mateus 6:34 onde Jesus fala sobre as preocupações do amanhã. Porém, o que está claro no texto é que Jesus diz para que não nos entreguemos à ansiedade, que é antecipar as coisas com sofrimento e de forma precipitada. 

Esse texto não é uma proibição para que façamos alguma previdência ou reserva financeira para ter uma aposentadoria mais tranquila.

Na verdade, devemos viver o hoje com as preocupações do hoje, mas sim, podemos, de forma honesta e equilibrada, organizar o nosso dia a dia para que no amanhã não sejamos apanhados desprevenidos.

Economize Com Objetivos: Uma forma de economia que coloco em prática e sugiro sempre, é a de economizar 20% dos ganhos e destinar por objetivos. Por exemplo, se o salário recebido é de R$ 1.000,00, coloque duzentos reais na poupança. Parece que é muito e sacrificial, mas eu já ganhei este valor de salário e consegui, com muita disciplina, adquirir esse hábito. Com o tempo e o aumento salarial, elevei este percentual a 25%, destinando os outros 5% para uma reserva de férias. Ou seja, quando vou desfrutar de férias já tenho uma reserva, seja para pagar a viagem ou para consumir nas férias. Atualmente já consegui elevar essa reserva tendo em vista passos maiores. Conheço pessoas que tomaram medidas drásticas na economia e elevaram suas reservas em 60% de economia. Ou seja, é possível fazer este esforço.

Não Abandone a Liberalidade: O risco que se corre pensando em estruturar a nossa vida financeira é justamente de olhar demais para nós e esquecer os outros. Erro que muitos de nós cometemos. Porém, devemos entender que é uma dádiva poder ajudar os irmãos que estão desfavorecidos.

Cabe ressaltar que não estou aqui apoiando o mero assistencialismo, que seria sustentar ou ajudar quem está acomodado. Eu incentivo a ajuda direcionada, ou de forma mais popular possível “não dê o peixe, ensine a pescar. ” Em um primeiro momento, pode ser que você tenha que socorrer alguém emergencialmente, ou seja, “comprar o peixe”. Porém, se você quer ajudar alguém para o longo da caminhada, “compre o peixe” inicialmente, mas compre uma “vara de pescar”, ou seja, ajude. Essa ajuda pode ser traduzida: indicando para emprego, oferecendo uma oportunidade (caso seja empresário e tenha condições de fazer isso), ajudando a preparar um bom currículo, ensinando, direcionando, incentivando, orando, principalmente nos momentos de crise.

Trabalhe, trabalhe, trabalhe e quando se cansar, trabalhe um pouco mais: Não sou Workaholic (viciado em trabalho), mas já passei fases na vida em que trabalhei 16 horas no dia. Foram períodos intensos, picos de demandas profissionais, reuniões desgastantes e dias que pareciam que não tinham fim. Confesso que aprendi muito, principalmente, no que diz respeito ao VALOR do trabalho.

Aprendi que o custo do meu salário era maior do que meramente dinheiro. Era o meu tempo que estava em questão. Por conta disso, aprendi que deveria ser mais responsável com o uso dos meus recursos, pois era difícil conquistá-los. No trabalho conheci características boas e ruins do meu caráter. As boas procuro melhorá-las, e as ruins, luto para abandoná-las. Como cristão, não espero do meu trabalho apenas o recurso financeiro/material, mas aproveito a oportunidade para que meus VALORES sejam colocados à prova e aperfeiçoados. Valores que sempre coloquei em prática, mesmo quando trabalhei em lugares em que não fui valorizado ou que não tive boas oportunidades, e que sem dúvida, me conduzem até hoje a ser um cristão mais consciente sobre todo esse contexto.

Espero que estas propostas lhe sejam úteis e que lhe ajudem a caminhar de forma cristã em meio à crise, construindo algo sólido para nós, mas sem abandonar a caridade cristã para aqueles que precisam, conforme a nossa possibilidade e com a consciência de que não podemos viver uma vida de egoísmo.

A minha oração é para que o Senhor lhe dê sabedoria para administrar sua vida, discernimento para viver com menos do que ganha, e disposição em servir, mesmo em meio à crise.

Que o Senhor os abençoe!

Em Cristo,

Marco Cicco
Fonte: http://www.xn--evangelhoinegocivel-5ub.com/2018/12/recomendacao-aos-cristaos-em-tempos-de.html


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Pr. Marco Cicco

Pr. Marco Cicco

Colunista

Criador do Ministério Evangelho Inegociável, Pastor na Igreja Anglicana Reformada do Brasil, Professor no Seminário Ryle de Teologia (Disciplinas: Espiritualidade Cristã e Liderança Cristã), Bacharel em Ciências Contábeis, Bacharel em Teologia, MBA em Gestão de Risco e Compliance, MBA em Gestão Tributária, MBA em Gestão e Liderança de Equipes com Habilitação em Docência no Ensino Superior, Extensões Universitárias em Negócios, Custo e Administração Financeira.

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